KA LAWANDA RESORT

Project idea

Ka Lawanda nasceu da percepção de que a rica tradição de cura aromática de Assuã — outrora parte vital da sua paisagem e património — está a desaparecer na obscuridade devido ao afastamento urbano, ao stress climático e ao abandono das práticas ligadas à terra. A ideia é conceber um resort terapêutico que não se limita a operar dentro do ambiente, mas que o cura — e aos seus utilizadores — através da reintegração cuidadosa da flora aromática, do artesanato local e do design passivo. Ao transformar colinas abandonadas em topografias ativas de bem-estar, o projeto reposiciona as espécies vegetais nativas não apenas como elementos de paisagem, mas como curadoras de programa, atmosfera e identidade. A arquitetura torna-se um enquadramento para uma narrativa sensorial — um lugar onde técnicas de adaptação climática, materiais locais e rituais culturais convergem para criar um santuário contemporâneo enraizado no património. A ideia central é que a cura pode ser simultaneamente espacial e ecológica. Através de uma arquitetura que respira com a terra, de espaços que despertam sentidos esquecidos e de experiências guiadas por aromas e sons naturais, Ka Lawanda oferece um novo modelo de turismo que é restaurador, específico ao lugar e ambientalmente consciente — provando que a sustentabilidade não é apenas técnica, mas também cultural.

Project description

Título do Projeto: Ka Lawanda – Resort em Aswan ("Ka" significando Lar, "Lawanda" significando Aroma Agradável no dialeto Núbio) Ka Lawanda é um resort de cura sensorial projetado para reviver as tradições botânicas aromáticas de Aswan por meio de uma arquitetura enraizada na resiliência climática, continuidade cultural e terapia multissensorial. Situado no topo do terreno ondulado da paisagem Núbia, o projeto recupera colinas negligenciadas outrora utilizadas para o cultivo aromático nativo, transformando-as em uma jornada experiencial de cura espacial e ecológica. O plano diretor está organizado em três agrupamentos em terraços, cada um ancorado por um pátio central que serve a uma função terapêutica distinta — o Jardim Sensorial, o Pátio de Yoga e Meditação e o Pátio de Hidroterapia Floral. A arquitetura responde à topografia específica do local, cascateando organicamente pela encosta e abraçando os contornos naturais para preservar a identidade do terreno e o comportamento da água. Cada agrupamento incorpora princípios construtivos Núbios tradicionais, reinterpretados por meio de estratégias ambientais modernas: formas abobadadas em tijolo de barro, espessas paredes térmicas, vidros de baixa emissividade e sistemas de ventilação passiva. No coração da experiência está a integração de plantas aromáticas nativas — lavanda, manjerona, manjericão, capim-limão e hortelã silvestre — não como vegetação ornamental, mas como elementos programáticos do bem-estar. Seu posicionamento é intencional: manjericão em espaços de meditação para clareza mental, lavanda nos quartos para tranquilidade, capim-limão nos pátios para purificação. O aroma torna-se uma ferramenta de orientação, um estimulante terapêutico e um gatilho de memória espacial. A estratégia de circulação coreografa essa imersão sensorial — vielas sinuosas e sombreadas; rampas escalonadas embutidas na encosta; e momentos de pausa por meio de pátios aromáticos e nichos com luz zenital filtrada. O resort é intencionalmente poroso, permitindo que o vento, a luz e o aroma guiem a experiência do visitante. Funções públicas como um souq local de ervas, ateliês, lounges de cura e terraços de contação de histórias estão dispostos ao redor da praça base para fomentar o intercâmbio cultural e a participação comunitária. Elementos aquáticos — espelhos d'água, paredes de névoa e tanques de hidroterapia — são estrategicamente utilizados para refrescar, refletir e engajar os sentidos, sendo alimentados por um sistema fechado de reciclagem de águas cinzas. A linguagem arquitetônica funde o minimalismo com o patrimônio cultural. Os tratamentos de fachada apresentam revestimento em pedra local com motivos triangulares Núbios esculpidos, enquanto portas, varandas e esquadrias de janelas são identificadas por cores de acordo com o agrupamento (vermelho carmesim, amarelo amanteigado, turquesa botânico e roxo lavanda), evocando as tipologias de plantas que os cercam. Ka Lawanda é mais do que um retiro — é um modelo de arquitetura contextual e terapêutica que restaura tanto o território quanto o estilo de vida, reconectando as pessoas ao conhecimento ancestral por meio do design multissensorial, da integridade ambiental e da narrativa espacial.

Technical information

MASTERPLAN E ORGANIZAÇÃO DO TERRENO Distribuição de Zonamento: ▪ Cluster A (+0,00 m): Pátio Jardim Sensorial (tema vermelho), jardins sensoriais, interação pública, souq local, praça de fogueira ▪ Cluster B (+2,00 m): Pátio de Yoga e Cura (tema amarelo), suites júnior, praça de yoga ▪ Clusters C e D (+4,00 a +6,00 m): Pátio Floral de Hidroterapia (tema turquesa/roxo), suites, pátios aquáticos SISTEMAS ARQUITETÓNICOS Materiais de Construção: ▪ Paredes: Blocos de Terra Comprimida Estabilizada (CEBs), 45–60 cm de espessura ▪ Enchimento em Pedra: Granito local de Assuão com padrões triangulares de textura rugosa ▪ Pavimentos: Betão de terrazzo polido e pedra local natural para inércia térmica ▪ Coberturas: Abóbadas de terra e pedra com nervuras de betão armado (reinterpretação do estilo núbio) ▪ Janelas: Portadas de madeira com painéis perfurados; janelas operáveis de vidro duplo de baixa emissividade Tratamento de Fachada: ▪ Acabamento em reboco branco liso e revestimentos em pedra branca rugosa sobre CEBs para reflexão solar ▪ Frisos de destaque e motivos triangulares esculpidos em pedra local ▪ Vãos sombreados por brise-soleil em pedra esculpida e reentrâncias profundas de abóbada Sistema Estrutural: ▪ Paredes de terra apoiadas sobre fundações rasas de pedra com membrana de barreira contra água ▪ Lajes e núcleos de betão armado inseridos para estabilidade vertical e caixas de escada ▪ Cobertura abobadada sobre arcos de CEB com camadas de impermeabilização à base de cal ESTRATÉGIAS AMBIENTAIS Arrefecimento Passivo: ▪ Microclimas de pátio com ventilação por efeito de chaminé ▪ Ventilação cruzada através de corredores de captação de vento e cúpulas perfuradas ▪ Massa térmica nas paredes para libertação de calor noturno ▪ Estruturas de sombreamento em tecido tensionado nos pátios públicos Sistemas Sustentáveis: ▪ Reciclagem de águas cinzentas para irrigação de plantas ▪ Pavimentação em pedra permeável nas áreas exteriores para minimizar o escoamento ▪ Utilização de flora aromática nativa resistente à seca para reduzir o consumo de água Aprovisionamento de Materiais e Alinhamento com os ODS: ▪ Materiais naturais de origem local (pedra, terra, cal) → ODS 11 ▪ Reutilização de águas cinzentas e filtragem por cobertura verde → ODS 6 ▪ Estratégias térmicas para redução do consumo energético → ODS 13 ▪ Design de cura aromática e bem-estar para o ODS 3 CONFIGURAÇÃO ESPACIAL Disposição dos Clusters: ▪ Cada cluster contém 4 blocos, e cada bloco contém 4 quartos ▪ Pátio central dedicado a um ritual de cura: yoga, aromaterapia ou hidroterapia ▪ Percursos sombreados e perfumados com plantação terapêutica ▪ Praça de entrada com cúpula abre para uma zona de mercado e terraços de celebração Tipologias de Quartos: ▪ Lokandas (Individual) ▪ Suite Júnior (Lokandas ligadas) ▪ Suite Tipologias de Pátio: ▪ Praça Floral de Hidroterapia: piscinas rebaixadas, elementos de névoa, trepadeiras floridas ▪ Pátio de Yoga: plataformas de madeira elevadas, jardins de gravilha, barreiras acústicas ▪ Jardim Sensorial: percurso interativo ladeado de ervas aromáticas, zonas táteis PAISAGISMO E CIRCULAÇÃO Estratégia de Circulação por Rampa: ▪ Rampa principal percorre a encosta para ligar os 3 terraços com inclinação < 6% ▪ Circuito de circulação marcado por cor de destaque (vermelho/amarelo/turquesa/roxo) ▪ Bolsas de assentos sob árvores, bacias de água para pausa e imersão olfativa Sistema de Paisagismo: ▪ Camadas de ervas núbias nativas, palmeiras, árvores de sombra (acácia, neem, tamareira) ▪ Canteiros elevados com manjerona, capim-limão, lavanda e hortelã em zonas estratégicas ▪ Pavimentação de pátio integrada com sistemas radiculares e irrigação ▪ Pátio de fogueira pavimentado com pedra vulcânica para resistência térmica DESIGN DE ILUMINAÇÃO E ACÚSTICA Iluminação: ▪ Iluminação ascendente suave ao longo dos percursos com tochas perfumadas e inserções no pavimento ▪ Iluminação de destaque nos pátios embutida nos bancos de pedra ▪ Vãos dos quartos orientados para luz natural difusa Design Acústico: ▪ Paredes de pedra e materiais pesados funcionam como isolamento acústico natural ▪ Elementos aquáticos atenuam o som nos pátios ▪ Espaços abobadados concebidos para redução de eco e paisagens sonoras tranquilas

Rahma Moanes

Cairo University, Faculty of Engineering Architecture Department.

Egypt

Arquitetura

Projeto submetido

16. 06. 2025

Etiqueta

Arquitetura Hotel Residential
  • Apartment
  • Multi Unit Housing
  • Private House
  • Student Housing

Conselho a estudantes

RESORT KA LAWANDA

Ka Lawanda oferece um conceito de resort criativo e culturalmente rico que revive as tradições aromáticas de Assuã através da integração paisagística cuidadosa e design multissensorial. O uso de plantas nativas, estratégias passivas e espaços comunitários cria um ambiente restaurador que é significativo tanto ecologicamente quanto socialmente.

Projeto muito bem detalhado e desenvolvido! Desenhos agradáveis, especialmente para esses diagramas. Adicionar mais renderizações ao longo do espaço público para mostrar a relação entre edifícios e possíveis atividades seria útil.
20.03.2026

Jinhui He

Categoria

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